Isabel dos Santos: “Sou a Isabel, empreendedora”

Isabel dos Santos: “Sou a Isabel, empreendedora”

perfil

 

Discreta, na inversa medida da enorme visibilidade das suas iniciativas empresariais de sucesso, Isabel dos Santos é a lusófona mais poderosa nos estratégicos setores das telecomunicações, banca e energia

 

Artiggo Gratis CEO Lusofono

“ Extremamente dinâmica e inteligente”, “com uma profunda noção estratégica das coisas”, “implacável”, “uma grande negociadora” e, no plano pessoal, “simples”, “simpática”, “sem ostentação”. Muitos mais atributos podíamos citar entre os inúmeros que elencam os que com ela convivem.

Mas, para simplificar, socorremo-nos da resposta que a própria deu, num dos muito raros momentos de entrevista que concedeu, quando lhe perguntaram “Como se define?”: “Sou a Isabel, alguém que é de finitivamente uma empreendedora”.

O perfil de Isabel dos Santos é um dos principais destaques da edição nº5 da revista CEO Lusófono

O perfil de Isabel dos Santos é um dos principais destaques da edição nº5 da revista CEO Lusófono

Nascida em 1973, em Baku (hoje capital do Azerbeijão, então parte da URSS), é a primogénita de José Eduardo dos Santos. Na altura, o atual Presidente de Angola fazia naquela cidade a graduação em engenharia de hidrocarbonetos e comunicações por radar e conheceu a jogadora de xadrez russa Tatiana Kukanova, a primeira mulher com que casou. E dessa relação nasceu Isabel.

Quando os pais se separaram, foi viver com a mãe para Londres, onde estudou engenharia eletrotécnica no King’s College e mais tarde conheceu o futuro marido, Sindika Dokolo, coleccionador de arte e empresário congolês, filho do fundador do Banco de Kinshasa e de uma dinamarquesa.

Voltou para Angola, nos finais da década de 90, para iniciar a sua atividade profissional na gestão da Urbana 2000, empresa que fazia a limpeza e prestação de serviços de saneamento de Luanda, onde, na mesma altura, lança o Miami Beach Club, um dos primeiros clubes da noite na capital.

A partir daí, Isabel dos Santos iniciou-se nos investimentos, participando em várias holdings e adquirindo participações em empresas em Angola e no estrangeiro (com destaque para Portugal) em diversos setores, mas com maior enfoque nas telecomunicações, banca e energia.

“Eu trabalho o tempo todo. Sete dias por semana”

Apesar de muito que fez e dos méritos que lhe são reconhecidos como empreendedora, desde sempre se acusa Isabel dos Santos de ter uma fortuna que advém sobretudo do poder e influência
do pai.

A acusação, a própria o reconhece, é fácil de fazer – “imagino que seja muito difícil distinguir o pai da filha”, dizia em tempos –, mas Isabel dos Santos desmistifica as ideias que se criaram, afirmando: “Faço negócios e não faço política”. E lembra que “há muitas pessoas com ligações familiares, mas que hoje não são ninguém”.

“Eu trabalho o tempo todo. Sete dias por semana. O meu trabalho é divertido. Se fizermos algo que vai dar emprego a alguém, essas pessoas podem ser capazes de pagar a escola dos seus filhos, e esse filho pode ser um médico e provavelmente ajudar muitas mais pessoas. Isto é muito motivador e muito mais divertido do que ir para a praia”, diz.

isabel1Sucesso nos investimentos

Do “divertimento” do trabalho surgiram inúmero negócios de sucesso e, entre os mais visíveis, o primeiro grande investimento que catapultou tudo o resto. Em 2001, entrou na Unitel, empresa privada de comunicações móveis, onde tem como sócios a Portugal Telecom e a Sonangol e que é hoje líder de mercado e a maior empresa privada de Angola. Também nesse ano, associou-se à fundação do Banco Espírito Santo Angola (BESA).

O passo em frente dá-se, em 2005, quando iniciou uma parceria com o homem mais rico de Portugal, Américo Amorim, e lançou em Angola o Banco Internacional de Crédito (BIC), tendo alargado, mais tarde, a atividade a Portugal.

Com Amorim, a aliança estende-se, desde 2006, ao negócio do petróleo, por via da participação, em joint-venture com a Sonangol, na Amorim Energia, que, por sua vez, controla a portuguesa Galp. E alargou-se ainda ao negócio da maior cimenteira angolana, a Nova Cimangola.

Na banca, torna-se, desde 2008, acionista do banco português BPI (de que é a maior acionista) e volta a reforçar os investimentos no mercado angolano, somando ao BIC e BESA a participação da Unitel no BFA.

Mestre no xadrez das telecomunicações lusófonas

Mais tarde, aliou-se ao grupo Sonae, de Belmiro de Azevedo, para uma operação de retalho em Angola, sob a insígnia Continente, e, já em 2013, desta parceria nasce o controlo do segundo maior operador de telecomunicações português, a NOS, resultante da fusão, em agosto de 2013, da ZON (de que era já a maior acionista desde 2012) com a Optimus da Sonaecom. Mas Isabel dos Santos, mostrou já que ambiciona mais.

Ao portofólio de investimentos nas telecomunicações lusófonas, que se estende a Angola, Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, Isabel dos Santos quis juntar o Brasil, por via da compra de uma participação direta na Portugal Telecom SGPS e, desse modo, indireta na brasileira Oi.

Com esse objetivo lançou, em novembro de 2014, uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) à Portugal Telecom, SGPS. Mesmo depois de retirada a oferta, acionistas de referência da PT SGPS chegaram a falar com Isabel dos Santos para ser encontrada uma solução, havendo então duas hipóteses. A primeira era comprar diretamente as posições desses acionistas. A segunda passava por uma entrada direta no capital da brasileira Oi.

A grande virtude, na perspetiva de Isabel dos Santos, é que esta compra teria permitido manter a unidade do grupo PT, ao impedir a venda pela Oi da empresa PT Portugal (que gere o negócio português) e da participação que a telecom brasileira tem na Unitel. Ou seja, de uma assentada, Isabel dos Santos veria ainda mais assegurados os seus interesses em Angola (e por esta via em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe), em Portugal e alargaria o investimento ao Brasil.

Teria sido, a concretizar-se, uma jogada de mestre no xadrez global dos investimentos de sucesso de Isabel dos Santos.

isabel2


entrada_sitePRb