Ilhéu Bom Bom, onde a HBD iniciou a aposta na Ilha do Príncipe

Ilhéu Bom Bom, onde a HBD iniciou a aposta na Ilha do Príncipe

Redescobrindo África: O exemplo esquecido de São Tomé e Príncipe

Artiggo Gratis CEO Lusofono

São Tomé e Príncipe tem passado despercebido na “redescoberta” de África, por diversas razões, mas que resultam muito de falta de informação e análise. Muitos fatores há para apostar neste Estado lusófono, como prova o exemplo do Grupo HBD STP, maior investidor privado do país desde 2011, de que Nuno Madeira Rodrigues é CEO

saotome2Passados quase quarenta anos da independência das antigas colónias portuguesas em África, efeméride que será objecto de inúmeras celebrações durante o ano de 2015, é fácil verificar que cada vez mais Portugal volta novamente a sua atenção para esses mercados na busca de um novo “el dorado” que permita às suas empresas e à sua população fugirem do cataclismo económico resultante da crise que desde 2008 assola grande parte da economia mundial.

Tradicionalmente os portugueses sempre olharam mais para Angola e Moçambique como mercados de destaque, muito marcados pela sua dimensão geográfica e especialmente pela riqueza a nível de recursos naturais. Cabo Verde tem igualmente sido um pólo interessante a nível do investimento turístico mas a sobrelotação do mercado tem esfriado as possibilidades de expansão das empresas nacionais para esse país. De igual modo a queda do preço do petróleo e a crescente dificuldade a nível de circulação de capitais para fora de Angola conduziram recentemente a um processo de desconfiança sobre a segurança do investimento neste território.

É neste contexto que cada vez mais começamos a considerar outros mercados dentro da lusofonia africana, nomeadamente a Guiné Bissau e a Guiné Equatorial, países que apesar das dificuldades estruturais poderão apresentar rentabilidades interessantes, ainda que mais recentemente a Guiné Equatorial tenha sofrido igualmente com a referida baixa do preço do petróleo, fonte principal de financiamento da sua economia.

saotome1Curiosamente ou não, São Tomé e Príncipe tem passado totalmente despercebido nesta “redescoberta” de África pelas mais diversas razões. É tradicional associarmos este país a um mero destino turístico, cujo conhecimento resulta quase exclusivamente da literatura existente do mesmo, ficando apenas no imaginário dos investidores as praias equatoriais e as florestas impenetráveis, marcadas pela insularidade que se revela como pouco atrativa quando optando por investimentos que pretendam um retorno mais imediato.

A tudo isto acresce a recorrente instabilidade política, a pequenez do território e exiguidade da sua população – e consequentemente do seu mercado -, as ideias pré-concebidas relativas aos elevados níveis de corrupção e burocracia, falta de estabilidade e segurança jurídica, etc. Tudo razões de peso que têm afastado um consistente investimento estrangeiro do país mas que, em minha opinião, resultam de clara falta de informação e análise. Senão vejamos.

São Tomé e Príncipe encontra-se estrategicamente colocado no Golfo da Guiné, o que implica antes de mais assumir que não é per si um destino de investimento focado no seu mercado limitado mas sim uma ponte para um mercado mais vasto constituído por países circundantes como a Guiné Equatorial, Nigéria, Angola, Camarões, Gana e Gabão, num potencial que excede as várias centenas de milhões de consumidores nacionais e expatriados na região.

Recentemente o país garantiu uma estabilidade política que já não conhecia há algum tempo, estando assim capaz de implementar reformas estruturais que permitam a melhoria da atractividade do investimento externo directo, agilizando processos burocráticos e criando acima de tudo um sistema de incentivos que visem a captação de capital e empresas para o território.

Sendo um país em vias de desenvolvimento, São Tomé e Príncipe beneficia de potenciais apoios internacionais com vista à criação de infra-estruturas indispensáveis para a sua população, com elevado foco na requalificação rodoviária, saneamento básico, saúde e formação e qualificação profissional. As crescentes relações de cooperação bilateral que têm sido estabelecidas, para além do tradicional apoio de Taiwan, Brasil, Angola, Portugal e Japão visam garantir igualmente fundos adicionais ao Estado que permitam a execução destes trabalhos, abrindo oportunidades mas também melhorando globalmente as condições do país em áreas estratégicas para garantir o seu desenvolvimento sustentável.

No que concerne ao crescimento da sua economia, o controlo da inflação em estreita ligação com o Banco Mundial é um sinal positivo e não é de todo displicente salientar que o acordo de paridade cambial entre a moeda local, a Dobra, e o Euro, elimina os riscos de operações cambiais que por vezes colocam em causa os investimentos em países estrangeiros. A tudo acresce uma política pouco comum de inexistência de entraves ao repatriamento e saída de capitais e dividendos que cumulativamente contribui para a atratividade da constituição de empresas e recebimentos no país, embora seja ainda necessário melhorar a capacidade de compra de algumas divisas.

Falar em investimento em São Tomé e Príncipe é naturalmente realçar as áreas do turismo de excelência, beneficiando de paisagens paradisíacas e gente afável, bem como de uma agricultura biológica de alto nível, assente na tradicional reputação nacional do seu café e cacau, especialmente este último que tem conhecido uma evolução de cotação internacional face à sua crescente escassez. É igualmente salientar a procura crescente de serviços especializados em tecnologia, marketing e publicidade, animação e cultura, etc., sem esquecer porém o papel importante que a localização, clima, estabilidade e condições do país oferecem para criação de estruturas diretivas para empresas que operem na região do Golfo. É acima de tudo reconhecer que o país encontra-se na rota preferencial do tráfego marítimo afastado da pirataria crescente da costa, pode ter potencial para ser um ponto fulcral na circulação aeroportuária e um hub de comunicações para todo o mercado da sub-região. Isto tudo sem referir o potencial petrolífero caso exista viabilidade de exploração e recuperação dos preços a nível dos mercados internacionais, claro está.

É congregando estas razões e reconhecendo ainda a riqueza cultural e histórica de São Tomé e Príncipe, bem como a extraordinária biodiversidade do país que o Grupo HBD se tornou no maior investidor privado desde 2011, assetando a sua atividade maioritariamente na Região Autónoma do Príncipe e focando o seu trabalho no desenvolvimento do turismo responsável, da agricultura de transformação de excelência e na criação e desenvolvimento de infra-estruturas que sustentem um projeto global de dinamização daquele território, em benefício último de todo o país.

O Grupo HBD STP foi fundado em 2010 pelo empresário sul-africano Mark Shuttleworth e pretende implementar a visão daquele na ilha do Príncipe, demonstrando que é possível garantir retorno económico num investimento em total respeito pela biodiversidade, cultura e tradições locais, utilizando estes como USP’s que potenciam a atractividade do destino. A trabalhar no terreno desde 2011, o Grupo emprega já mais de quinhentos trabalhadores, dos quais cerca de 93% são locais, distribuindo a sua actividade actual entre a gestão do Bom Bom Island Resort, o primeiro hotel pertencente à rede do turismo sustentável em África, do Omali Lodge, um business hotel na cidade capital de São Tomé, o trabalho nas Roças Sundy e Paciência, bem como na preparação dos vindouros projectos turísticos, o primeiro dos quais com arranque de construção já para Julho deste ano, localizado na Praia Sundy e com quinze unidades cujo posicionamento se pretende seja de topo e associado a valores e compromissos éticos de excelência.

Claro que para que este trabalho tenha frutos é necessário igualmente investir na capacitação dos quadros locais, o que acontece já desde 2012 através de várias iniciativas de educação e formação no território, bem como na criação de infra-estruturas de suporte ao investimento, motivo pelo qual a HBD tem estado fortemente envolvida na reabilitação do aeroporto do Príncipe e de várias estradas na ilha, assim como na construção de unidades produtivas locais.

Este projecto tem sido determinante para a economia da ilha do Príncipe, impactando direta ou indiretamente mais de metade da sua população e criando igualmente sinergias com a ilha maior de São Tomé, contribuindo dessa forma para o reforço da unidade nacional e aproximação entre os dois territórios. É acima de tudo um projeto que demonstra que a aposta nas áreas de sustentabilidade tem um retorno que, embora não imediato, é garantido, mostrando ainda a viabilidade global do investimento em São Tomé e Príncipe que, para o nosso Grupo, não é de todo um local esquecido mas sim uma realidade que apenas carece de reconhecimento das suas oportunidades pelos investidores internacionais.


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