NAI – A aventura marítima de José Miguel Ribeiro

NAI – A aventura marítima de José Miguel Ribeiro

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Onze dias à boleia de um cargueiro, numa viagem de São Tomé e Príncipe para Portugal,  valeram a José Miguel Ribeiro, então com 27 anos, o desafio de regressar ao arquipélago e criar a NAI – São Tomé e Príncipe, agência da linha de navegação do maior armador português, a  PSL, responsável pela entrada regular no país de produtos e matéria-primas vindas de Portugal.

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Foi no cargueiro Santa Francesca que José Miguel Ribeiro apanhou boleia para Portugal

Licenciado em Direito pela Universidade Católica do Porto, José Miguel Ribeiro decidiu cruzar o Atlântico após concluir o curso e esteve um ano a viajar pela América do Sul, antes de voltar a Portugal para enveredar pela área do Direito que considerava mais aliciante, a dos Direitos Humanos, tendo feito uma pós-graduação, mas sem que, de facto, sentisse motivação para exercer a advocacia.

Nessa altura, a namorada foi para São Tomé e Príncipe, como voluntária num projeto da AMI, e, ainda sem saber que rumo profissional seguir, depois de concluir a pós-graduação, acabou por ir ter com ela, longe de imaginar o impacto dessa viagem.

“Estive a trabalhar aqui em São Tomé e Príncipe com o João Carlos Silva na CACAU – Casa das Artes, Criação, Ambiente e Utopias, na área da fotografia e na organização da 6ª Bienal de São Tomé e Príncipe, isto há quase 3 anos, e acabei por cá ficar 8 meses. No final, quando chegou a altura de regressar, consegui realizar um dos meus sonhos de viajante, que era ir de cargueiro para Portugal”, lembra.

“Fiz a viajem de onze dias a bordo de um cargueiro, porque conhecia o dono da companhia de navegação PSL e, chegado a Portugal, sem saber bem o que fazer, se iria enveredar pela advocacia ou qualquer outra área, fui desafiado pela PSL a abrir uma agência em São Tomé e Príncipe. Deram-me uma semana para decidir… E a minha veia de viajante e aventureiro disse-me que sim e acabei por vir para cá, em janeiro de 2013, abrir a empresa de raiz”.

Negócio sempre a crescer

Desde então, nestes dois anos e meio, o negócio tem vindo sempre a crescer, com a empresa a empregar atualmente 6 pessoas e a recorrer aos serviços de empresas que atuam no porto para desenvolver atividade.

“Tem sido um percurso muito interessante e de muita aprendizagem, num contexto completamente diferente do contexto europeu, a que tive de me adaptar. A nível da empresa os principais desafios foram inicialmente a burocracia, para nos instalarmos,  e atualmente a melhoria das operações portuárias e dos equipamentos são sem dúvida os principais entraves para o desenvolvimento, quer da atividade da empresa, quer do próprio país, que depende em larguíssima maioria das importações, com as questões logísticas a serem fundamentais”, nota o jovem empresário.

“Tendo em conta que chega quase tudo por navio e que as infraestruturas portuárias e o equipamento não são os melhores, as operações de carga e descarga demoram muito tempo e  isso acaba por se refletir no produto final.  Temos já de ter em conta que um navio que chega de Portugal vai cá ficar 5, 6 dias, com custos muito altos, que têm depois de se refletir no preço final dos produtos para o consumidor. Mas, tenho sentido da parte da nova administração portuária esforço para tentar melhor esse aspeto da celeridade das operações”.

Aumento da carga reflete maior dinamismo económico

Em posição privilegiada, face à dinâmica económica e comercial do país, José Miguel Ribeiro tem assistido nestes anos a um crescente aumento da carga, “que tem de ser reflexo de um maior dinamismo económico”, diz.

“Tem vindo mais carga para cá, a nossa companhia tem crescido nesse campo e isso resulta de um crescente investimento no país. Tenho tido muitos contatos e pedidos de informação sobre os nossos serviços por parte de pessoas que querem  abrir empresas cá, de vários tipos. E quem olha para o país vê cada vez mais negócios, mais carros, mais carga e  nós e as infraestruturas portuárias temos de acompanhar esse crescimento e contribuir para o mesmo”, acrescenta.

Essa nova dinâmica económica e empresarial é, segundo José Miguel Ribeiro, reforçada pelo esforço conjunto dos líderes empresarias locais reunidos na Associação Empresarial de São Tomé e Príncipe, empenhados em trocar conhecimento, criar sinergias e pontes para novos contatos, como tem acontecido e tem aproveitado essa mais-valia, para a grande aposta que tem estado a fazer de consolidar a posição da NAI no país.

O tempo livre passa-o o no mar, a surfar e mergulhar. Um escape que, aliado ás boas relações de amizade que já criou, o ajuda nesta experiência de vida. “Viver numa ilha sem ter uma boa relação com o mar seria para mim impensável”, diz. E dessa boa relação com o mar vive também o negócio que criou.


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