CST desenvolve ligação de São Tomé e Príncipe ao Mundo

CST desenvolve ligação de São Tomé e Príncipe ao Mundo

Artiggo Gratis CEO Lusofono

Jorge Frazão, Administrador-Delegado da Companhia Santomense de Telecomunicações (CST), líder do setor no país, lembra que esta é uma empresa pioneira, criada há 25 anos, para o desenvolvimento das telecomunicações e , por essa via, da ligação do País, entre si, e ao Mundo.

O esforço conjunto, na altura, entre a companhia portuguesa Rádio Marconi, mais tarde Grupo Portugal Telecom, e o Governo de São Tomé e Príncipe, começou com o serviço fixo e depois com o serviço móvel, expandindo continuamente a rede, com a estabilidade em termos de estrutura acionista a muito contribuir para o contínuo desenvolvimento da atividade da empresa – o Grupo Portugal Telecom (hoje parte integrante da telecom brasileira Oi) 51% da empresa, através da subsidiária Africatel, e o Estado Santomense os restantes 49% .

“Oferecemos um serviço igual ao de qualquer parte do mundo”

“Já em 2011, foi feito um investimento muito importante, o investimento do cabo submarino, que liga diretamente São Tomé e Príncipe ao Mundo,  e hoje temos uma empresa de telecomunicações que, do ponto de vista de produtos e serviços, é igual a qualquer outra congénere mundial”, nota o gestor português.

“Temos a capacidade de entregar a qualquer empresa, qualquer cliente, um serviço de telecomunicações igual ao que é fornecido em qualquer parte do mundo e somos por isso um motor do desenvolvimento do país e, desse ponto de vista, qualquer empresa que cá se instale terá acesso a um serviço de comunicações que lhe permite desenvolver a sua atividade”.

“Telecomunicações não são claramente entrave a desenvolvimento económico”

Jorge Frazão considera que “a economia santomense, de um modo geral, poderá não estar ainda a tirar todo o partido das telecomunicações, mas o desenvolvimento das telecomunicações não são claramente um entrave ao desenvolvimento da economia, porque nós hoje temos a capacidade de fornecer, do ponto de vista empresarial, uma oferta igual a qualquer parte do mundo, estamos a oferecer fibra ótica de 100Mb, temos já muitos clientes a utilizar esses serviços. Os hotéis, a banca, todas as escolas secundárias, têm hoje, num projeto financiado pelo Banco mundial e ganho pela CST, internet grátis, temos 90% da população com capacidade de aceder à rede móvel 3G”.

O Administrador-Delegado da CST lembra, no entanto, que esta é uma realidade muito recente. O cabo submarino foi colocado no início de 2013 e só desde então, do ponto de vista das telecomunicações, houve condições de desenvolver o acesso à internet em todo o país. Até aí, o acesso à internet era feito por satélite , com menor velocidade e um custo muito mais elevado.

“Hoje é possível ter no mercado residencial, preços de acesso á Internet de a começar em 4 euros por mês, enquanto antes do cabo submarino eram necessários 42 euros, um decréscimo de 10 vezes, com maior velocidade de acesso e maior tráfego incluído. E esse desenvolvimento veio mudar a dinâmica não só do país como da própria empresa. Mudou muito, mas o nosso foco é total no desenvolvimento do serviço de Internet, que tem tido uma evolução constante”.

Expansão do serviço de Internet e virar da empresa mais para os clientes

As duas grandes apostas da empresa nos últimos dois anos têm sido, por um lado, a expansão da rede e do desenvolvimento do serviço de Internet e, por outro,  a transformação comercial para se adaptar a um novo quadro competitivo de concorrência que surgiu há cerca de um ano, com expansão da rede comercial e um virar da empresa mais para o cliente do que para a tecnologia, enquanto nos anos anteriores a empresa se focava muito no desenvolvimento tecnológico.

“No último ano e meio a empresa aumentou 5 vezes o número de lojas próprias em São Tomé e Príncipe, falando apenas de lojas próprias e sem contar com toda a rede comercial, através de agentes e revendedores autorizados”.

“Direta e indiretamente contamos hoje com cerca de 300 colaboradores. Temos como principal preocupação manter uma boa qualidade de serviço, que é para a CST algo bastante transversal. Não estamos a falar apenas de qualidade de serviço técnico, não estamos a falar só da qualidade da rede, estamos a falar da qualidade do atendimento do call center, estamos a falar da qualidade do atendimento nas nossas loja, ou seja, falamos globalmente da qualidade do serviço que prestamos aos clientes. Essa tem sido, nos últimos tempos, a nossa principal preocupação e isso obriga-nos à tal transformação comercial, estar mais perto dos clientes, é importante que tenham mais facilidade de acesso aos serviços, e , por outro lado, há um investimento contínuo na rede, para dar resposta ao facto de termos cada vez mais clientes a utilizar os serviços”, destaca Jorge Frazão.

Mais de 50M investidos no País

A CST, desde que já foi lançada, investiu mais de 50 milhões de euros no País. E um dos investimentos mais relevantes foi o do cabo submarino, com 18 milhões de dólares. “Por ano, investimos cerca de 2,5 milhões de euros, essencialmente em tecnologia, para um volume de negócios de cerca da 14 milhões de euros/ano”.

Em São Tomé o crescimento do mercado está muito dependente do crescimento da Economia do País.

“São Tomé e Príncipe cresce a 5, 6% ao ano e isso reflete-se no negócio. Mas quando o mercado tem uma penetração de quase 100% no negócio móvel e entra concorrência, não é fácil que, com esta taxa de crescimento do País, a empresa possa crescer ao mesmo ritmo. E esse é um contexto que nos desafia a manter um nível alto de quota de mercado, ser cada vez mais racional nos custos, precisamente porque este mercado não vai continuar a crescer ao ritmo de anos anteriores e vai ser mais dividido. Neste primeiro ano de concorrência temos uma quota de mercado de cerca de 90%”.

Jorge Frazão salienta a aposta da CST, num esforço conjunto com todo o tecido empresarial, em contribuir para o  crescimento económico do País. “Aliás, integramos a Associação Empresarial de São Tomé e Príncipe, que tem esse mesmo objetivo, para que as empresa quer estão cá possam crescer com esse crescimento económico”.

Além disso, nota o Administrador Delegado, “a AESTP pode ajudar as empresas através do contributo para o desenvolvimento das instituições, ajudando com mais informação sobre a legislação, influenciar a criação de determinadas legislações para simplificar e regular o mercado, como o caso da publicidade que tem vindo a desenvolver-se. Outra área é a facilitação de oportunidades para São Tomenses que estejam fora do país e possam vir ajudar as empresas com as suas competências. Isto irá permitir às empresas crescer com o contributo de quadros da diáspora”.

A CST é ainda uma das referências em São Tomé em termos de Responsabilidade Social, com muita intervenção na área da Educação, Cultura, Desporto. “Temos ofertas específicas para os jovens estudantes, apoiamos o desporto escolar,a diversas ONG’s. Este tem sido um dos pilares da empresa e creio que o país reconhece essa aposta que fazemos e o nosso envolvimento e compromisso com o desenvolvimento contínuo do País, nas diferentes áreas”.

Perfil – Jorge Frazão

IMG_2699

Depois de concluir a licenciatura, Jorge Frazão trabalhou quase sempre no Grupo PT, nas áreas da rede de distribuição e no desenvolvimento de produtos e serviços. Em Portugal, entre vários projetos, destaca um que lhe deu uma experiência muito interessante.

“Fiz parte da equipa que montou o primeiro operador móvel virtual, a UZO, e essa experiência permitiu-me ter uma visão global do que é um operador de telecomunicações, porque a UZO era uma marca do Grupo PT, mas funcionava como uma empresa à parte, tinha uma estrutura de gestão autónoma e fui responsável por toda a área de desenvolvimento de produtos e serviços da UZO”.

Depois dessa experiência, acabou por querer ter também uma experiência internacional. “Fui convidado para ir gerir, no início de 2008, a CVMóvel,  em Cabo Verde, numa altura em que passou a haver concorrência no mercado. Estive lá dois anos, depois regressei a Lisboa e surgiu a oportunidade de vir para São Tomé, com um desafio idêntico ao de Cabo Verde, e estou cá há quase dois anos, neste novo desafio”.


entrada_sitePRb

Ler Também: