BGFIBank empenhado em investir no desenvolvimento de São Tomé e Príncipe

BGFIBank empenhado em investir no desenvolvimento de São Tomé e Príncipe

Artiggo Gratis CEO Lusofono

Liderado por Felisberto Castilho, o BGFIBank iniciou as suas atividades em São Tomé e Príncipe em março de 2012, não só com a licença de banco comercial, mas também com a do banco de investimento, atividade que quer desenvolver para ajudar o desenvolvimento do país. 

“Quando entrámos no mercado éramos a oitava instituição, trouxemos algumas inovações, alicerçadas na experiência de um Grupo financeiro regional com mais de 40 anos. O Grupo BGFIBank, com origem e sede no Gabão, está atualmente presente em 11 países, 2 dos quais lusófonos (São Tomé e Príncipe e Guiné Equatorial)”, salienta Felisberto Castilho.

O Diretor Geral do BGFIBank em São Tomé e Príncipe nota que o mercado bancário no país é ainda muito embrionário, resumindo-se na atividade da banca tradicional -Mercado Monetário. “Estamos ainda numa fase inicial em que as atividades principais dos bancos resumem-se na captação de depósitos e conceção de empréstimos. A introdução de novos produtos e serviços está na dependência de um conjunto de normas e regulamentos que o regulador, nesse caso, o Banco Central, deverá criar para impulsionar o sistema. Estamos a falar do leasing, do factoring e de muitos outros produtos e serviços, inexistente no mercado atual por falta de enquadramento legal”.

Por ser um mercado ainda primário, o BGFIbank tem feito esforços junto das autoridades para que o mesmo possa ganhar outra dimensão. É necessário que surjam outras formas de financiamento que não sejam apenas soluções bancárias, como tem sido atualmente. “Aqui, até para a compra de um telemóvel, se recorre a empréstimo bancário. É absurdo pensar nessa hipótese na Europa ou outras paragens, onde não é preciso recorrer à banca para o efeito”.

Felisberto Castilho explica que em São Tomé e Príncipe se recorre a créditos bancários para coisas muito ínfimas. Os riscos de crédito são elevados, por conta da ineficiência dos tribunais, da burocracia excessiva e da informalidade do mercado. “E tudo isto condiciona a atividade bancária”.

Investir no desenvolvimento é aposta

“O fato de termos sido o último banco a entrar neste mercado ‘micro’, levaram muitos a questionar sobre o congestionamento do mercado numa altura em que uma instituição estava sendo intervencionada pelo Banco Central”, diz o Diretor Geral.

“Nós entrámos porque achamos que o Grupo BGFIBank, com base na sua forte presença no mercado da sub-região da África Central, deveria ser o parceiro do Estado no processo de desenvolvimento. Foi por essa razão que solicitámos uma licença de banca de investimento, justamente para nos diferenciarmos das demais instituições e prestar tanto os serviços da banca comercial como também serviços de banca de investimentos em estreita colaboração com o Estado. O Grupo dispõe de células próprias para a realização de consultoria, montagem de projetos de investimentos com capacidades para alavancar fundos, tanto dentro do grupo como no mercado  da sub-região através de sindicação. “, explica o responsável.

Para Felisberto Castilho, o país precisa de infraestruturas de base, sobretudo  do Porto, Aeroporto e de grandes complexos turísticos, “para que o pais seja colocado no mapa”. Só assim, diz, “podemos afirmar que o país tem condições para prestar serviços para o mercado da sub-região”.

O gestor alerta que “não é possível ainda vender o país como uma plataforma de prestação de serviços, porque faltam as condições de base para que os serviços se possam desenvolver. Ora, essas condições têm de ser criadas e o BGFIBank está muito bem posicionado para apoiar o Estado na restruturação e montagem do que for necessário, para permitir que a visibilidade que se quer dar ao país seja uma realidade… Essa é a nossa visão”.

O BGFIBank acredita que a localização geoestratégica de São Tomé e Príncipe oferece todas as condições propícias para o desenvolvimento do país como uma plataforma de prestação de serviços para o mercado da sub-região.

Atividade e desafios

Atualmente, 99% das atividades do BGFIBank está voltada para a banca comercial e, explica o gestor, “sendo este um banco cujo core business fundamental é a banca de investimento, é claro que não estamos ainda enquadrados com a nossa estratégia de desenvolvimento”.

A instituição vem desenvolvendo atividades na área da banca comercial, com base na experiência do Grupo, e tem uma oferta que a clientela tem estado a aderir. Atualmente serve as dez principais empresas no mercado.

Felisberto Castilho explica que o banco encontrou duas grandes dificuldades para poder desenvolver atividades da banca de investimento. A primeira: “o Estado não estava preparado para concretizar projetos que exigem uma estruturação muito aprofundada, sendo que os recursos necessários são muito avultados e como tal devem ser alavancados no mercado internacional.  Ou seja, a montagem do dossiers teria de obedecer certos requisitos para estar de acordo com os princípios e normas internacionais para que os financiadores convidados, seja por sindicação ou não, estejam confortáveis quanto ao retorno e o funcionamento do projeto”.

A segunda, os empresários, quer locais, quer estrangeiros, têm apresentado projetos de investimento que não estão adaptados à realidade do mercado e com riscos muito elevado. E, lembra Felisberto Castilho, “sendo o crédito a nossa principal atividade para geração de receita, a má gestão dos riscos de crédito leva os bancos à desgraça”.

“Não acreditamos, contudo, que a banca comercial, só por si, nos possa gerar rentabilidade suficiente para alcançarmos os resultados que pretendemos, pois o mercado é muito pequeno e com muitas fragilidades. Temos, por isso, de avançar para uma nova etapa de dinamização de atividades do banco de investimento. Esse é o nosso objetivo”.

A vantagem do forte posicionamento regional

Felisberto Castilho vê como uma das grandes vantagens do BGFIBank  o fato de conhecer muito bem o mercado da sub-região, onde tem uma presença muito forte, como líder na CEMAC – Comunidade Económica e Monetária da África Central.

“Se alguém deseja instalar em São Tomé e Príncipe com objetivo de explorar os mercados da Guiné Equatorial, do Gabão, do Congo, etc, nós podemos oferecer-lhe informações detalhadas sobre cada um desses mercados. Essa é uma grande vantagem para os empresários que queiram investir no mercado da sub-região, a partir de São Tomé e Príncipe. Uma empresa que queira, por exemplo, investir no setor da construção na Guiné Equatorial pode, através de nós, agendar encontros com potenciais clientes ou empresas a partir dos nossos contatos e da nossa estrutura local”.

Potencial de São Tomé e Príncipe

São Tomé e Príncipe oferece vantagens a vários níveis. Para além da sua posição geoestratégica, o país tem uma abertura muito grande e excelentes relações com os países vizinhos. Um potencial que, defende Felisberto Castilho, deve ser aproveitado para afirmar o país como plataforma giratória para prestação de serviços para toda a sub-região da África Central e do Golfo da Guiné.

“Nós temos um mercado ‘micro’, as empresas aqui ganham muito pouco, mas, se conseguirmos abrir este mercado, num esforço conjunto entre as empresas e o Estado, que felizmente tem também essa visão, o potencial do mercado a explorar é enorme [mais de 300 milhões de habitantes]”.

“Nós queremos ser um dos protagonistas nesse processo de desenvolvimento, daí termos começado a trabalhar em conjunto com outras empresas e no seio da Associação Empresarial de São Tomé e Príncipe (AESTP) [de que Felisberto Castilho é atualmente um dos vice-presidentes], para atingir esse desígnio estratégico”.

O Porto e o Aeroporto são prioridades nesta visão, que engloba também a transformação do país num destino turístico de alta qualidade, para aproveitar a forte dinâmica da classe média dos países da sub-região. “Se conseguirmos atrair grandes operadores turísticos, grandes marcas, associando a tudo isto a nossa beleza natural, podemos oferecer um destino paradisíaco a poucas horas do continente. Assim, essa classe média em forte crescimento pode encontrar aqui o que procuram atualmente no Dubai ou nas Caraíbas, etc”.

Já no plano dos serviços financeiros, o fato de não existir ainda um país que tenha sido capaz de centralizar as operações financeiras do mercado regional, constitui também uma oportunidade para o nosso mercado tendo em conta as vantagens competitivas que já abordadas.

“Se vendermos a imagem de que São Tomé e Príncipe é um país seguro – com um aeroporto que responda às necessidades dos operadores internacionais; com um Banco Central forte -, se formos capazes de captar mais instituições financeiras especializadas e avançarmos com as reformas do sistema, podemos transformar  São Tomé e Príncipe num mercado financeiro, até mesmo com uma Bolsa de Valores, para atender todas as necessidades comerciais na região. Temos vantagens comparativas com outros países e o Governo tem essa visão, por isso, se associarmos todas estas peças necessárias, podemos concretizá-las”, conclui.

Felisberto Castilho

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Começou a trabalhar na banca em 1995, no primeiro banco privado do país, o Banco Equador. Antes disso, deu, durante seis anos, aulas de Educação Visual, mas começou a interessar-se pela área financeira, tendo tirado cursos profissionais, enquanto lecionava.

O Banco Equador teve sucesso nos primeiros dois anos de atuação, apresentando nessa altura resultados positivos. Mas, a partir daí, o banco começou a entrar em queda livre e, em 2000, foi alvo de uma primeira intervenção do Banco Central. Nessa altura, Felisberto Castilho teve de pensar no futuro e quando surgiu o convite, em 2001, para ser responsável Administrativo e Financeiro da companhia de seguros SAT Insurance, aceitou o desafio.

Seguiu-se, três anos depois, a gestão do National Investment Bank, e, em 2007, entrou no Ecobank – o Banco Panafricano. Este Grupo financeiro internacional conferiu a Felisberto Castilho experiências únicas. Na altura presente em 19 países, mas com uma estratégia de expansão agressiva com um mínimo de abertura em 2 ou 3 países Africanos por ano, o Ecobank promovia regularmente encontros entre os responsáveis dos vários mercados, o que deu a Felisberto Castilho um contato privilegiado com outras realidades, abrindo-lhe novas  perspetivas.

“Comecei no Ecobank como Responsável de Operações, depois como Chefe de Agência e acabei como Diretor de Operações. E ser Diretor de Operações de um grupo internacional como o Ecobank é ter a oportunidade de reunir com todos os diretores  operacionais de todas as filiais do grupo. Isto, permitiu-me uma partilha de conhecimento, que poucos quadro em São Tomé e Príncipe tiveram oportunidade de ter. Foi neste momento que realmente cresci em termos profissionais. Foi também nessa altura que terminei o meu mestrado à distância em gestão bancária”.

Felisberto Castilho recorda que não pensava sair do Ecobank, mas quando foi entrevistado no BGFIbank, no seguimento de um convite para assumir o cargo de Diretor de Operações, disseram-lhe que o seu perfil daria para o cargo de Diretor Geral. Assim, em 2012, aceitou o desafio de liderar, desde então, o projeto do BGFIBank em São Tomé e Príncipe.


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