Quarenta Anos Depois

Quarenta Anos Depois

Artiggo Gratis CEO Lusofono
Cinco dos Estados da CPLP comemoraram há pouco os 40 anos da sua independência nacional. A CPLP está quase a perfazer os seus vinte anos. Quatro décadas poderão ser muito tempo na vida de uma pessoa, mas nada são na vida de uma nação. Duas décadas são apenas um momento na vida de uma comunidade de Estados. E, no entanto, que “aventuras” já vividas pelos novos Estados e que percurso já feito pela CPLP! A “reconquista” da liberdade para Timor-Leste e a re-integração da Guiné Equatorial são dois dos grandes feitos estratégicos dos Estados-Irmãos da CPLP, dois dos seus mais altos momentos de afirmação, nestas suas curtas décadas. (1)

Imenso foi o caminho aberto e feito neste curto tempo. Imensa foi a capacidade demonstrada pelos Estados-Irmãos da Lusofonia para evoluírem, se afirmarem e até para se adaptarem num mundo que mudou radicalmente (nos planos estratégico, político, militar, económico e tecnológico), entre 1975 e 2015.

Quarenta anos depois, um mundo a atravessar a profundíssima crise de uma mudança estrutural coloca aos Nove da Lusofonia desafios de peso e, ainda há pouco, inimagináveis e assim obrigando a exercícios de “imaginar o impensável”.

Estes desafios “impensáveis”, mas bem reais, obrigam todos e qualquer um dos Nove a estudar, avaliar e sopesar muito bem as suas potencialidades e as suas vulnerabilidades, a pensar-se e a re-equacionar-se, a definir e estabelecer a sua estratégia nacional de afirmação, segurança e desenvolvimento para este novo e conturbado século.

Importa, por isso, identificar e dissecar as “fragilidades” existentes nas relações actuais entre os Nove e ver que “centros de fricção e perturbação” persistem para, de forma lúcida, eficaz e rápida, os resolver e ultrapassar, no melhor interesse de todos e de cada um.

Tal como importa também entender a CPLP como um activo estratégico estrutural e estruturante (a grande obra conjunta destes 40 anos). Um activo decisivo para optimizar a valorização de qualquer um dos Nove Estados da Lusofonia. E também para estabelecer uma comum e partilhada visão estratégica do que se pretende venha a ser a CPLP, a médio e longo prazos, para melhor potenciação de cada um e de todos os seus Estados em 3 oceanos e 4 continentes, num rigoroso respeito pela soberania nacional de cada um dos nove da Lusofonia.

(1) Portugal deve um pedido de desculpas à Guiné Equatorial por ter entregue  o seu território e populações ao domínio e soberania de Madrid (mesmo que tal tenha sido obra de “A Louca” D. Maria I). Antes da reintegração da Guiné-Equatorial na Lusofonia, por decisão da CPLP (mas contra a vontade “moralista” de Aníbal Cavaco Silva e outros herdeiros de “A Louca”), Lisboa esqueceu-se (ou fingia esquecer-se), durante séculos, que a Guiné Equatorial existia… São, portanto, séculos de pecado a expiar.


entrada_sitePRb